Re (encontro) com Guilherme Isnard
Frontman único, compositor de talento, relax e descolex
Nunca tinha trocado uma palavra com Guilherme Isnard. Pois é um sujeito articulado, engraçado e charmoso. Além de - passou a hora de batermos o martelo definitivamente - talentoso à beça.
Nosso convidado na edição 150 (!) do podcast “Amigos, Barcinski, Forasta e Paulão” rendeu um episódio especialíssimo. Boas histórias sobre a cena paulistana, o Zero, os Voluntários da Pátria e os dias de hoje, temperadas com humor afiado.
É uma das consequências agradáveis e educativas de fazer um podcast: revisitar obras antes das conversas. No processo, desempoeiro ouvidos e opiniões. Como recentemente aconteceu com outro artista da mesma geração que eu jamais cruzara, Phillipe Seabra.
O Zero nunca encaixou nos espaços do rock 80. Nem no underground, nem em Chacrinha-Xuxa. Não fazia gracinhas e não xingava o governo. Era música pop chique, romântica e dramática.
Ninguém no Brasil soava ou parecia assim em 1984, 5, 6, 7. A embalagem era sofisticada, visual e sonoramente; Guilherme, vaidoso, foi o que chegamos mais perto da fronteira gótica/new romantic.
Ouça hoje os arranjos, alinhados com o que havia de mais moderno na gringa; a guitarra elegante de Edu Amarante; as composições de estrutura ambiciosa, costurando várias canções em uma. Como “Formosa” e “Agora Eu Sei”, que já estavam na primera demo da banda.
“Quimeras” não deve pra nenhuma banda inglesa da época.
O Zero logo acabou, o Zero depois voltou. Tocam bastante por aí.
Guilherme canta também com a banda Rádio Nacional, com veteranos como Alec do Metrô e Bid do Tokyo, fazendo releituras de clássicos daquela era.
Recomendo um passeio por sua produção posterior aos 80. Esse vídeo solo bacana é um passeio da sua infância à maturidade.
Guilherme fazia enorme sucesso com as moças, explicação bem concreta para a inveja e maledicência de muitos contemporâneos. Podes conferir: Guilherme fazendo sombra para Paulo Ricardo em plena TV Globo.
E em pleno 2026 continua galã e com aquela vozona! Você pode saber dos próximos shows dele aqui. E ir ver o Zero em São Paulo no Blue Note, Avenida Paulista, neste sábado, dia 23.


Mais um ótimo e engraçadíssimo episódio. A risada do Paulão é sempre contagiosa.
O Zero me fez dançar muito. A voz do Guilherme Isnard é especial. Adorava a banda.