Forever young (só que não)
Porque trocar ícones da juventude eterna por velhinhos da pá virada
Entre todos os ídolos do jovem Elvis Presley, James Dean foi o maior. Morreu no dia 30 de setembro de 1955, dilacerado no seu Porsche Spyder. Tinha 24 anos.
A vulnerabilidade, a androginia, a insolência os uniam. O destino os separou para sempre. Hoje significam coisas absolutamente diferentes.
Nicholas Ray, diretor de “Rebelde Sem Causa”, conta que quando conheceu Elvis, o cantor se ajoelhou na sua frente e começou a recitar passagens inteiras do filme, páginas e páginas de script.
Elvis assistira dezenas de vezes o filme, e também “East of Eden (Vidas Amargas)” e “Giant - Assim Caminha a Humanidade”, os únicos três filmes em James Dean atuou.
Dean será sempre a melhor representação da rebeldia adolescente, porque escapou de envelhecer. Já Elvis será para sempre a melhor representação de como envelhecer mal.
James Ellroy calunia Dean e turma em seu livro “Widespread Panic”. Jimmy era drogado, michê, chantageador e mau caráter; os outros astros de “Rebelde Sem Causa”, só devassos mesmo, Sal Mineo e Natalie Wood; Nicholas Ray, o mentor intelectual e carnal da bagunça toda. Nenhum está vivo pra confirmar ou negar.
Elvis foi de adonis elétrico a entertainer brega, balofo e chapado, cercado de cumpinchas em Las Vegas. Morreu velho com jovens 43 anos, em 1977. Ressuscita periodicamente em canções remasterizadas, biografias cinematográficas, e em 2027 haverá mais, porque meio-século da sua morte.
O outro grande herói cinematográfico e referência de Elvis era Marlon Brando. Também morreu monstro, mas velhinho.
É fácil e quase inescapável envelhecer sem cumprir a promessa de sua juventude - ou até traindo. Para cada James Dean, morto antes de sua plenitude, e para cada Elvis, exemplo acabado de como amadurecer errado, precisamos de ícones que nos dêem a esperança de fazer melhor.
Dia desses uma enquete no LinkedIn tocava em tema recorrente no mundo profissional: “O que torna um profissional velho?” Foi um fenômeno de engajamento: 850 mil visualizações, zilhões de comentários. Minha resposta teve 193 likes: “O que faz um profissional velho é a percepção do mercado”.
No Brasil, com essa população tão jovem, ter 40 anos já te faz mais velho que maioria. Dependendo do setor, já vais pra pilha de usados e descartados antes mesmo. Mulher até mais cedo que homem.
Uma parte disso é perspectiva. Quando eu tinha 17 anos e Mick Jagger 39, pra mim ele era um dinossauro. Hoje os 22 anos que nos separam me parecem pouco. Me reconforta vê-lo rebolando nos palcos.
Ver coroas fazendo “coisa de jovem” te dá uma certa vergonha alheia? É embaraçoso comparar o Mick amarfanhado de hoje com o querubim dos anos 60? Pode ser. Mas também pode ser só uma percepção sua, ou preconceito escancarado, não?
Os velhinhos podem continuar sendo quem sempre foram. Podem fazer tudo que conseguirem: trabalhar, transar, tretar. E até se permitindo mais liberdade que antes das rugas.
Você não vai conseguir ser jovem pra sempre. Mas às vezes - com esforço, se inspirando nos ídolos certos - you get what you need…




Por falar em Rolling Stones estarem velhos mas ainda rebolando... Por coincidencia, vi um short video deles ha' algumas horas atras exatamente zoando sobre isso. Era da campanha de volta do Monty Python aos palcos em 2014. Tive sorte de assistir a um destes 10 shows no O2 em Londres. Estava em uma reuniao de trabalho com o celular por debaixo da mesa esperando as bilheterias abrirem. Todos ingressos se esgoratam em minutos. Dei um berro de "Porra!" no meio da reuniao quando consegui comprar. As pessoas me olharam estranho e expliquei que tinha conseguido os ingressos. Ao inves de me repreenderem bateram nas minhas costas e comentaram que estavam com inveja. "Good one, mate!". Britanicos...
https://www.youtube.com/shorts/JsBHJOVaucE
Velho é o novo velho!