A voz humana
Direto do espaço, uma canção inexplicável
É enorme meu afeto por duas ficções-científicas estreladas por Tom Cruise no século 21: “Oblivion” e “No Limite do Amanhã”. Ambas são sobre amar.
A segunda é mais engraçada e eletrizante e melhor costurada em geral, “O Feitiço do Tempo” em versão cyberpunk. Mas minha memória volta sempre a “Oblivion”.
A razão é a música do francês Anthony Gonzales, que assina M83. Já ouvi o tema mil vezes. Na trilha sonora, na versão em canção com a voz da norueguesa Susanne Sundfor, nas tours da banda cantada pela americana Kaela Sinclair.
Por que? Minhas capacidades críticas não dão conta de explicar. Requer pouco esforço jornalístico encontrar defeitos na canção, que em outros tempos eu despacharia sem dó como apelativa, progressivóide.
É irracional. Tem algo ali que me agarra pelas entranhas e não solta.
Hoje o algoritmo me apresentou uma versão que desconhecia de “Oblivion”, feita cem por cento no gogó por um coral universitário dez anos atrás.
Como a gente é capaz disso?
Aqui a versão definitiva com a cantora original e sua voz inconfundível, em um programa de TV; vale conheceres a carreira solo de Susanne.
E aqui ao vivo com a multiinstrumentista Kaela:
Que instrumento nossa voz. Anjos, como disse Hamlet:
“What a piece of work is a man! How noble in reason!
How infinite in faculty! In form and moving how
express and admirable! In action how like an angel!
In apprehension how like a god! The beauty of the
world! The paragon of animals!”

